segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Escravo

paulovinheiro - 131109


Hoje saí de casa bem tranqüilo.

Passei frente a muitas vitrines e nem vi.

Dirigi meu carro sobre as ruas.

Linhas retas e curvas e mais linhas que nem sei dizer.

Falei com todos que havia de falar.

Disse tudo que deveria dizer.

Contei cada minuto em segundos.

Meu dia foi rápido e nem vi.

Morri mais um dia.

Um dia a mais e um dia a menos.

Sou eu quem sigo sem minha sombra.

Não sei de mim, nem sei de você.

Que queres de mim quando me encantas?

Que quero de ti quando me deixo?

Este pesadelo é um sinal perigoso.

Vejo nos olhos do espelho um espanto no ar.

Minha imagem se arrasta na cidade.

Eu fico parado e repito tudo que me dizem.

De que serve saber tanta coisa?

Pra que ter tanto bem?

Não sei mais, não sei nem, mas sei que não me caibo.

Cigano sou, mas preso em mim.

Errante, e como, preciso fluir.

Canto e clamo: eu sou livre e declaro aqui.

Sou o mais livre escravo de mim.

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