segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Livrerdade

paulovinheiro
16072010

1. Um broto nasceu de mim e
2. Tratei dele como se fosse eu.
3. Crescida a árvore não me reconheço nela.
4. Ela rebrota a seu modo e eu nada posso fazer.
5. Chove lá fora e de certo não sou eu quem chovo.
6. Quem chove lá fora renunciou à sua forma.
7. Quando a chuva cai, cai de seu jeito;
8. Daí por diante há uma rotina natural.
9. Desse novelo de letras,
10. Quando eu desvelo meu sentido,
11. Falo de mim quanto me entendo.
12. Explico como vejo o tema do “broto de mim”
13. Filhos, poemas, palavras...
14. Quando damos à luz às creações já não somos nós;
15. Temos dores do parto no crear.
16. Alegrias às vezes e dores por certo há, e
17. O que vomitamos é do mundo:
18. É o que temos de melhor.
19. Ao plantarmos uma planta
20. Não podemos controlar toda a água,
21. Toda luz e todo alimento que a faz crescer.
22. Não podemos dizer que a conhecemos,
23. Nem podemos dizer que somos seus pais.
24. Por mais que nos dediquemos ela será uma planta,
25. Por mais que seja nossa filha será uma planta.
26. Dos filhos o que direi? Que são plantas?
27. Só querem nosso alimento e a liberdade
28. Podemos controlar os alimentos e
29. A liberdade jamais;
30. E assim é...
31. Um poeta não deve se apegar à sua obra,
32. Ela é o fluxo do momento que livre se livra.
33. Quebra as correntes das fantasias,
34. Quebra as formas das verdades-mentiras,
35. Desmonta os pré-conceitos,
36. Crea o novo, aquilo que não se viu jamais.
37. Mesmo que se repetindo se faz novo e
38. Infelizmente as pessoas não são tão livres,
39. Jamais serão tão livres como a chuva,
40. Jamais tão livre como a poesia.

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