11062011
paulovinheiro
Em pastos cansados cobertos de capoeira jaz a história de tantos tempos.
Das tropas que te pisaram, oh pastos, quem mais te viu como riqueza?
A falência dos cafezais e das cansadas vacas que secaram as tetas, o quê?
Hoje um exército de invasores, bárbaros, estrangeiros, vem e levam daqui a paz deixando algum dinheiro.
O que buscam os que chegam? Aquilo que os nativos perderam?
Que trazem os novos? Seus costumes, o progresso e o que mais?
Mesmo, eu, um estrangeiro, há tão pouco tempo por aqui, posso ver diferenças terríveis no quotidiano caipira, para o bem e para o mal, penso...
O importante, por certo, é saber se adaptar.
Minha preocupação é com a cultura, não digo a regional, mas cultura seja qual for.
O que está sendo agregado e o que está sendo perdido? Qual a contribuição que damos?
Desde os nativos reais de nossa terra, e os bandeirantes que sofreram por estes caminhos serrados e duros, até os feitores e barões que dominavam estas serras e seus povos houve contribuições regionais à cultura nacional.
Certamente, Monteiro Lobato e Eugênia Sereno, dizem do Cassiano Ricardo e quanto mais outros, e na atualidade alguns nomes e mais alguns em terreno tão propício para a criação e equilíbrio... é algo estranho serem tão poucos; será por que?
Na maioria das vezes observamos que a elitização nos movimentos culturais é uma porta impeditiva a que mais gente possa entrar.
Infelizmente os círculos culturais desorganizados não tem futuro porque não conseguem uma continuidade. Seus propósitos não chegam a gerar resultados que se notem, talvez por serem insípidos os ideais e falto de forças.
Um mal que aflige o brasileiro médio é esperar que o governo, seja de qual esfera for, banque o que há de vir. Sucesso ou fracasso. Então temos a cultura oficial onde a covardia ou o medo impede que se faça um esforço de exposição das artes que cada um carrega dentro de si.
De certo não se faz porque é melhor encontrar pronto, mas arte padrão é o que é: não arte.
Sei que trepito o repetido, mas vai lá: arte é o não banal ou aquilo que faz do banal algo especial, diferente, renascido... Claro, é uma visão, um quadro, uma opinião, mas... arte não é a glamurização do abjeto.
Tenho amigos que certamente ao lerem o que vai por aqui moverão a cabeça horrorizados, mas... se não ganhamos nada em querer fazer da expressão algo especial o que ganharemos em fazer do horror algo de admirar?
Textos de picadeiro e poesia trapezista; palhaços lacrimosos ou equilibristas com pincéis, ué...
A Mantiqueira precisa se mobilizar. Como ela fará isso?
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