paulovpinheiro
15112010
Quando eu era bem mais jovem ficava pensando porque a maioria de cada um que vi-ve não juntava na vida experiência e fatos que dessem pra fazer um livro.
Melhor explicando, porque a maioria dos que vivemos não conseguimos juntar mate-rial para que se dê a geração de um livro, talvez um capítulo, quem sabe uma página ou uma linha (e há desses muitos).
Depois de navegar por alguns mares e ter algumas experiências pude entender que a maioria nunca pensou nisso, nem tem interesse nisso.
Parece que essa maioria nasceu pra pouco significado ou em circunstância banal, incidental. Quem sabe nem nasceu... foi copiado e colado.
Aprofundando um pouco: as pessoas hoje são tão parecidas que passaram a ser mais que semelhantes. As massas continuam sendo as mesmas massas fáceis de manobrar.
Estou sendo ofensivo?
Perdoem, mas o que disse não me doeu.
Na primeira religião que tive, ou fui levado para ela, me diziam que os humanos fomos criados a imagem e semelhança de Deus. Certamente eu não posso comparar a face de Deus com a dos humanos que convivemos, porém a coisa não parece bem assim, pelo menos hoje ou também por tudo que pude estudar de história antiga.
De verdade não quero discorrer sobre este assunto espinhoso que fala do íntimo que todos desconhecemos em nós e nos outros.
O que realmente quero dizer é que podemos ser melhores do que somos, sim pode-mos, não tenho dúvidas, não tenho mesmo.
Por mais que pareça que eu tenha dito acima que os homens são desalmados por sua natureza eu acho que faltou dizer que isto tem remédio.
Uns usam a religião, outros os alucinógenos, outros as fantasias dos loucos que aju-dam a sobreviver... cara limpa ou cara suja.
Talvez, por minha natureza observadora, eu acredite que o melhor para desembrute-cer as pessoas seja a arte, a cultura.... Mesmo assim, como poderíamos sentir o divino se o homens embruteceram, ainda mais?
Cultura. Esta palavra hoje é usada para muitos fins, mas pouco se vê pelo original que é o seu fundamento em muito dos eventos e círculos dedicados a isto.
Vaidades de pavão e outros tipos de egoísmos que se podem imaginar. O maior inimi-go da mentira é a Cultura e o maior inimigo da Cultura é a mentira.
Por se dizer, não existe uma cultura de massa e sim uma descultura de massa, que tem como maior objetivo desligar as populações do processo da criação e do pensamento livre.
Ops! Parece que eu quis dizer que a cultura é subversiva... mas não é?
Nenhum elemento criador segue regras a não ser que renuncie a sua liberdade.
A diferença que quem faz e movimenta alimenta, e quem é alimentado pela febre de querer compreender o espaço e o tempo em que vive ficará impossibilitado de acreditar em estórias que são repetidas a centenas de anos, e bilhões de vezes; portanto, só resta a ação de fazer a cultura brotar e rebrotar.
Uma pessoa culta não pode ser alienada, senão não seria uma pessoa culta, de ver-dade.
O que é uma pessoa alienada? O maior exemplo de um alienado é aquele que acredita naquilo que leu neste texto e até agora e não criou em si um movimento ou posicionamento.
Não que a gente tenha que se posicionar frente a tudo que nos vem sem antes ter compreendido aquilo que se quis dizer, porém, certamente, quem gosta de ler um pouquinho, ou mesmo quem não tem esses apetites, tem suas opiniões, certo?
Quem mora num lugar grande, numa terra grande, cheia de pessoas, cheia de interes-ses, etc., pode ficar muito chateado com a situação que a multidão está programada para pensar em uma ou duas coisas, mais que isso as pessoas se confundem e perdem suas utili-dades.
Cada pessoa ligada a um ramo de atividade profissional, acadêmico, social ou tribo, etc., fica fechada em um círculo e fecha o mundo que vivemos dentro do mundo em que ela vive. Assim é, fomos programados a nos resignar a ser o que fomos programados para ser.
Quem controla as massas? quem nos dá ordem a seguir? quem nos faz sentir medo? quem nos faz fazer coisas que não queremos fazer? quem inventa a moda? quem manda em nós? Quem nos programa? Cê sabe quem? Quer saber? Pois é?
Porque a gente tem que fazer sempre perguntas que a gente não sabe responder? E às vezes preferia não saber a resposta.
Pessoalmente vivo num mundo pequeno. Onde é mais fácil falar em alfabetização do que falar da interpretação de textos.
Acho que não temos a necessidade de aguardar um salvador, digo, alguém que traga a solução como um remédio, com sua bula, com sua embalagem, com sua possibilidade de cura. Tem cura isto?
Não digo que todas as pessoas deveriam “virar livro”. Acho, sim, que cada um deve sempre buscar a valoração pessoal. Acho também que isto não é absurdo.
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