segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Desafio

paulovinheiro - 131109


Clamo musical

Como canto e defino

Digo a todos que não rimo

Mas me alongo em cada frase

Digo a meu destino

Não te apresses mais que eu

Porém não te atrases, não espero

Se não vens então vou eu

Desafiei a minha história

O tranqüilo eu fiz ferver

E canto sol e lua e a estrela

Hoje eu sou o que sou

Deserança

paulovinheiro - 131109


Juntando tudo que aprendi

Relendo tudo que me veio

Catando pedaços de amigos

Tenho mãos livres e nem sei

Ensaio o meu silêncio

Mas um fervor me faz falar

Agonizo em meu leito

Não me renderei, jamais

Olho pra frente e me vejo

A cada dia mais leve e só

Espero ativo, feroz, e grito

(podem terminar como quiserem)

Escravo

paulovinheiro - 131109


Hoje saí de casa bem tranqüilo.

Passei frente a muitas vitrines e nem vi.

Dirigi meu carro sobre as ruas.

Linhas retas e curvas e mais linhas que nem sei dizer.

Falei com todos que havia de falar.

Disse tudo que deveria dizer.

Contei cada minuto em segundos.

Meu dia foi rápido e nem vi.

Morri mais um dia.

Um dia a mais e um dia a menos.

Sou eu quem sigo sem minha sombra.

Não sei de mim, nem sei de você.

Que queres de mim quando me encantas?

Que quero de ti quando me deixo?

Este pesadelo é um sinal perigoso.

Vejo nos olhos do espelho um espanto no ar.

Minha imagem se arrasta na cidade.

Eu fico parado e repito tudo que me dizem.

De que serve saber tanta coisa?

Pra que ter tanto bem?

Não sei mais, não sei nem, mas sei que não me caibo.

Cigano sou, mas preso em mim.

Errante, e como, preciso fluir.

Canto e clamo: eu sou livre e declaro aqui.

Sou o mais livre escravo de mim.

Fúria

paulovinheiro - 131109


O tempo trás seus sinais

As palavras seus sabores

Minutos palavras

Segundos as letras

Decifra-me eu rogo

Entender-me não posso

Assim escrevo minhas heresias

Canto meus elos aos mares

Soluços brandidos ao vento

Úmidos, serenos, escuros

Lua nova me banha

Cintila tua tez ao luar

Cavalgo no espaço expressão

E te vejo branca e pronta

Te amo e te escrevo então

Tu que sem nome se forma

Em traços cruéis de minha mão

Conta quem sou no silêncio

Que esconde minha paixão

Janela

paulovinheiro 141109


Olho-te atrás dos vidros

Na manhã orvalhada

Súbito convido: café?

Vens então e cantas

Tua voz é notícias

Contas teus sonhos

Explicas o impalpável

És tão íntima do insuspeito

Apontas para as árvores

Suas folhas e seus frutos

E glorias teus minutos

Do teu ninho não sei eu

Invades os meus olhos

Meus ouvidos e minha vida

Bem vinda à minha manhã

Ensina-me sábia sabiá


(para um de meus pássaros, amigos do café da manhã)

Letras

paulovinheiro 141109

Subvertem

Amadurecem

Redundam

Alimentam

Sonham

Matam

Criam

Fazem

Destroem

Limpam

Picham

Ai de quem escreve

Ai do escrever

Cuidado os que lêem

Conspiram emoções

Poetas livres ou

Mercenários das letras

Poesia

Entretenimento verbal

É fácil escrever

Difícil é ler

Fantasias à parte

Um passo adiante

Aos poetas livres

Resta a expressão

Imagéticas figuras

Impressões do sei não

Tinto

paulovinheiro - 131109


Minha alma branca

Em ti risco letras

Ilumino minha cara

Alma minha te juntei

Noite clara de estrelas

Da dor que esqueci e

Alma brasa que acendi

Juntei-te a mim

Assim te escrevo

Da maneira que te canto

Nesta terna aprendo

A cantar-te por encanto

Silêncio

paulovinheiro - 131109


No melhor sentido

Da melhor forma

Minha impressão

Em letras disponho

Junto letrinhas

Conto quadrinhas

Explico o amor

Do meu coração

Pequenas palavras

Por perto espalho

Ai quem me ouve

Sibilo e rabisco

Licenças catarinas

Monteiro Lobato, 22 dez. 2008
Paulo Pinheiro.


Das vagas tenho as sombras da maresia
Noite e dia fujo e sofro carícia dolorosa
Ouço as mentiras que me vêm em heresia
Em grades preso lembro tua cor, a rosa

Inda vejo em aberto campo, livro e poesia
E em perfeito som palavra arde amorosa
Chaves, trincos, ferros, és minha analgesia
Amor, sol, lua, flor, aqui recitas em prosa

Ausente é tua sombra, és presente, milagrosa
Temo a insustentabilidade, te vejo luz melindrosa
As trevas de dentro e fora iluminas vagarosa

Madre d’Albi, honro teu Filho em mim
Pater terno, teu amor é meu sol em si
Fruto sou e me reconheço enfim.

(na agonia (exaltação) meditativa o reconhecimento de si e seu tamanho gera dores que só sabe quem intentou fazê-lo)

Um amigo

paulovinheiro 290708

Há certo tempo, nem tão muito e nem tão pouco, conheci o que viria ser um amigo e tanto, entretanto, entre tantos gostares que tenho, por singular um gosto: o exercício da criação nos sentidos das palavras.
Um tanto de tempo após conhecê-lo, tive uma bela surpresa ao cultivar seus anelos em fazer da palavra arte, a escrita entre todas com mais força.
Entrementes, vi e ouvi falar muito de seus trabalhos que pipocaram quase em silêncio e quase em gritos, na nossa cidade das palavras; São José dos Campos.
Um amigo, uma amiga... uma palavra... uma medida.
Para dizer que não me caibo fico por aqui.

Uma sombra

paulovinheiro - 201009

Quando quis andar mais um pouco tive muitos motivos para não fazê-lo.
Era noite e a chuva impedia de ver o que a minguante também me negava.
O frio era forte e a distância do que eu queria era muita.
Havia uma estrela que teimava em aparecer de vez enquanto.
Era eu, o breu e a chuva e uma estelinha.
Assim, escondido em algum lugar eu dormi.
Sonhei, enfim, vi no alto da mata, na serra, um brilho de sol, mas não era e sim aquela estrela, a pequena, que crescera e chagara aos meus pés.
Esperança tardia de quem busca, na noite, no breu, sem nem mesmo a luz da lua pra alumiar o próximo passo.
Há caminhos que se faz bem só. Eu sei... Estou num deles. Nem um pio, um pio sequer.
Ai! Minha estrelinha... Onde estou? Onde estarei?
Meus desertos de silêncio e de barulhos, ruídos estranhos tem o silêncio. Quero andar e não vejo o caminho.
Só tenho minha estrela que de vez enquanto aparece...

Ao Universo

paulovinheiro-estudo 060608-2


Uma a uma, uma a uma, conta a conta, sem conta a contar
Pedra branca e pedra negra, quanta pedra se conta, num mesmo colar
Conta um conto quem conta com a conta
Que conta se passa a se espedaçar
Verdade, mentira, manhã feita noite, com estórias bonitas a nos enganar.

O dia se passa a gente a passar
Ele anda com a gente a levar
Parada e surda a tartamudear
A gente à frente de rio corrente a se libertar.

Livre nas margens que acomoda o corpo
Avante, ora silente, ora rugente
Tendo na mente um som a soar

Enquanto palavras não, em êxtase tão
Em silêncio profundo a se aprofundar
Não mais canto a palavra, OM - Sou Tudo a toar.

Eu queria

Estudo 090608-1

Hoje, como os ontens mais recentes, mais uma vez, ouvi falar de amores vegetais, preocupações legais, atos naturais, propostas ambientais.
Homens sinceros mentindo que é uma beleza!
Muitos cientistas sem ciência e amadores irriquietos balburdiando até serem ridicularizados.
Crianças perdidas, balas perdida... algumas achadas.
Alunos sem aula.
Campanhas em políticos.
Nós sós... muito sós.
Poucas palavras bastariam para dizer a verdade disso tudo... mas alguém quer saber da verdade? Esta palavra, na história e na vida, sempre foi muito mal recebida.
As meio-verdades ou meio-mentiras nos perseguem. Queremos ignorá-las, mas somos nós quem as criamos e as alimentamos e as amamos e as queremos demais.
Não importa o nosso país qual nome tenha, assim, não importa a nossa nacionalidade, só queremos viver e nada mais importa.
Não importa, como se vê, a nossa cidade como os seus lixos e mazelas que nós tão apressadamente nos prontificamos de amontoar em qualquer lugar, jogar em nossos rios e sei lá mais. Se não somos nós então que é que isso faz?
Não importa a natureza desde que o meu jornal chegue à minha porta; não interessa a bio-diversidade, desde que eu mantenha meu emprego; não importa minha vida, desde que eu tenha alguma vantagem a me entorpecer.
Em qual mentira quero acreditar? Que alguma ONG vai me salvar como um disco voador que vem me resgatar desta lixeira? Que algum ser angélico vem reflorestar as arvores que eu matei ou que apoiei que fossem mortas?
O progresso tem seus custos, bem sabemos, mas que custo é este? Quanto vale a nossa vida, muito? Pouco? Muito pouco?
A dor disso tudo é que amamos as mentiras e por isso mentimos, sinceramente.
Defendemos o que não compreendemos, atacamos o que não compreendemos.
Somos apaixonados.
Não posso e não devo acusar qualquer ser humano por ser ignorante daquilo que também sou.

Lá nas estrelas

261009 - paulovinheiro

Lei maior seguimos todos
E assim por mais longe
Ignorando os caminhos
Dispor dos pés nos leva
E jazemos enfim

Eram onze horas quando mais uma estrela nasceu.
Era Leide quem subia ao céu.
Linda criatura que nos enfeitou os dias.
Mais que linda, nobre, muito nobre.
Seu nome é dignidade.
Um dia seu brilho voltará à Terra e a iluminará com seu amor.
Tão pequenina e tão imensa.

Minha pequeninha tinha vinte e quatro anos e fará tanta falta quanto possível.
Tinha luz de estrelas nos olhos e sua presença preenchia vãos que lembraremos por muito tempo.
Aos que lêem isto se preparem: um dia a vida poderá ser abençoada com a presença de alguém parecido como Leide.

Certamente

120210 - paulovinheiro

1. Certamente te esperava, como uma folha no rio

2. Como quem abraçava o vento e beijava a brisa

3. Imóvel como podia te esperava

4. Acendia em meus olhos a calma de quem ama

5. Lia nas nuvens a mensagem só tua

6. De mãos dadas eu e tu esperávamos as estrelas...

7. Agora já estás aqui como se sempre estivesses

8. As asas de menos cores se aproximam

9. Mostram os rasgos do céu na noite...

10. Douram os meus olhos de novo

11. A calma do rio

12. O frio da noite

13. O calor de tua mão

14. As coisas não se cabem

15. Dias curtos

16. Noites curtas

17. Exílio, idílio, concílio

18. Uma palma na palma

19. Uma planta no pé

20. Umas asas na alma

21. Uns instantes de fé

22. Assim, como com música

23. A gente se vê a dançar

24. Canto, clamo ou declamo

25. Vejo e fluo... assim... assim

26. Sem vento e sem brisa

27. Sem folha, sem rio

28. Meus olhos nas nuvens tuas

29. Estrelas nas mão e asas douradas

30. Qual mais?

31. Assim descubro que o tempo não existe

32. O espaço é só um lugar impreciso

33. E nós tão pequeninos

34. Não nos cabemos

Em busca da linguagem perfeita

paulovinheiro - 100210

1. De minha toca me tocou observar

2. Vi de tudo ou quase

3. De todo bicho

4. Do que anda

5. Do que avoa

6. Do que nada

7. Relincha, guincha e fala

8. Vi e ouvi, decerto

9. Entrando mais dois dedinhos neste assunto, também vi

10. Entre os bichos da minha vida

11. Se entendem os que se falam

12. E se aborrecem no falar

13. Outra sorte tem os que aprendem o que falar

14. Como e quando falar

15. Como tratar cada bicho

16. Cada bicho em seu lugar

17. Uma novidade sem surpresa!

18. Entre as gentes é diferente

19. Pois todos sabem tudo

20. Antes de aprender se põe a ensinar

21. É o aprender como que aos bichos

22. Que se entendem sem falar

23. Como falam e se entendem

24. Cada qual em seu lugar

25. Se pio, pias, piamos

26. Se canto, cantas, cantamos

27. Se crocito, crocitas, crocitamos

28. Que mal em nos entender?

29. Aprender a falar à platéia

30. Transformar problemas em solução

31. Pois tudo se resolve

32. Quando soltamos os problemas da mão

33. O mal é falar com fome

34. Muito mal é ouvir com fome

35. No caso a fome é a ansiedade

(projetar é preciso, mas sem ansiedade e sabendo falar com quem se presta a ouvir, esperando apenas o possível)

Lá no alto

paulovinheiro

Monorie Tlotabo

100210

1. Saindo de São Paulo

2. Buscando a Mantiqueira

3. Numa estrada torta

4. Que escreve encostas

5. Que rasga horizontes

6. Que carrega em seu lombo

7. águas, matas, trilhas e também gente

8. Riscando desenhos

9. Escrevendo no céu

10. Sangüínea palavra: liberdade

11. Nesses monteiros ouvimos lobatos

12. Seus uivos e ladridos

13. Suas lembranças da paz

14. Subimos pra um céu no Jordão e seus campos

15. Atravessamos os pinhais e seus santos caminhos

16. Neste inverno toco as estrelas

17. E me queimo então

18. O que não vi

19. A fé

20. Vi esperança

21. Nada de fé

22. Mornos dias

23. Aguardos sebastiânicos

24. Alguns com quereres ressaltados

25. Freados pelo juízo que impede a marcha

26. Seria demais pensar que o equilíbrio possa ser?

27. Aguardar não sei quem ou não sei que

28. Ter medo de ousar e

29. Saber que se o fizer a recompensa será incrível

30. Qual a porta que me traga (porém não trague) parceiros

31. A mesma porta que entrarei para achá-los?

32. Ou será só dentro... como num sonho?

33. Neste pequeno monte onde ouço pequenos lobos

34. Fundo a Monteiro Lobato que não vivo

35. Não a quero pra mim

36. Tu a queres?

37. É, então, tua

38. Toma-a

39. Faze dela algo maior que tem sido

40. Se não posso tê-la a faço pra outros

41. Até onde posso fazê-la.

42. Só ou não.

Tema e variações

paulovinheiro

07042010

 

1.     Fio e corte

2.    Andando em sombras

3.    Cravo meus olhos

4.   Na luz de meu verso

5.    Em sonhos distante

6.   Conto minhas linhas

7.    Riscando de luz

8.    Páginas minhas

 

9.   Claro e escuro

10. Chamo mi amor

11.   Venha andorinha

12.  Venha minha flor

 

13.  Frio e tarde

14. Ando em sombras

15.  Cravo meus olhos

16. Na luz do universo

17.  Em sonhos de antes

18.  Canto quadrinhas

19. Arrulho atroz

20.Fala de nós

 

21.  Claro e escuro

22. Chamo mi amor

23. Venha andorinha

24.Venha minha flor

 

25. Sopra a brisa

26.Folhas tremulam

27. Volto à mia casa

28. Forrada de estrelas

29.Caminho suave

30.Brilham meus olhos

31.  Ouço-te a cantar

32. Fio e corte

 

33. Claro e escuro

34.Chamo mi amor

35. Venha andorinha

36.Venha minha flor

 

(Faça a experiência de ler de traz pra frente, linhas 36, 35, 34,..., isto é, linha a linha, de forma normal, ocidental)